Em Guarujá, há quase tantos pombos quanto pessoas

Tido como símbolo da paz, o pombo representa discórdia quando o assunto são suas fezes, que podem transmitir várias doenças. Em Guarujá, é grande a chance de alguém acabar entrando na mira dessas aves ao caminhar pela rua ou ter sua casa adotada por elas.

Segundo um estudo finalizado em agosto, o Município tem aproximadamente 250 mil pombos para cerca de 290 mil habitantes, o que sugere uma hiperpopulação: quase uma ave por pessoa. “Como, em Guarujá, não há predador natural, e as pessoas gostam de alimentar os pombos, a tendência é que essa população aumente cada vez mais. Normalmente, o número de pombos duplica a cada oito anos”, diz o veterinário Eduardo Filetti, que coordenou a pesquisa.

O estudo concluiu que as fezes dos pombos têm bactérias e fungos que, quando em contato com seres humanos, podem causar conjuntivites, dermatites simples e enterites (inflamações intestinais).

 
Segundo estudo, o Município tem aproximadamente 250 mil pombos para cerca de 290 mil habitantes.
O maior problema, entretanto, está nas fezes secas. “Elas são muito perigosas, pois podem causar uma doença respiratória grave de difícil tratamento. Orientamos molhar as fezes secas dos pombos antes de qualquer remoção, que deve ser feita com material de segurança (máscaras, óculos e luvas)”, explica Filetti.

A toxoplasmose, que também costuma ser associada ao pombo, representa problema quando a ave serve de alimento. “Só pode ser transmitida se as pessoas comerem o pombo cru ou malpassado, costume que não se tem aqui. Essa doença pode ser transmitida quando o gato não é vermifugado”.

Da orla à favela

Realizado ao longo de três anos, o estudo teve colaboração de 85 alunos do curso de Ciências Biológicas da Unisanta, onde Filetti leciona. Ele também foi ajudado por universitários de Estatística e Matemática, que ajudaram na estimativa de aves na Cidade.

A pesquisa estava programada para durar dois anos e quatro meses, mas Filetti afirma ter demorado um pouco mais pelo fato de o Município ter muitos núcleos carentes. “Tínhamos que pedir a colaboração de algumas pessoas para falar com o líder desses núcleos e podermos entrar nas favelas”.

Para elaborar o estudo, Filetti e os universitários iam pela manhã a vários pontos de Guarujá e colocavam um plástico transparente liso com alimentos aos pombos. “Essas aves defecam no lugar onde comem”. Os estudantes recolhiam as fezes rapidamente e as encaminhavam ao laboratório para exame.

Filetti faz esse trabalho desde 1995, quando detectou aproximadamente 80 mil pombos em Santos. Doze anos depois, em 2007, já eram 160 mil – média de um pombo para cada 2,61 habitantes. Também já realizou pesquisas em São Vicente e Praia Grande.

Espécie

O pombo doméstico e o pombo-correio são uma variedade do pombo das rochas do Mediterrâneo. São encontrados no mundo todo, exceto nas regiões polares.

Já eram criados há 5 mil anos pelos asiáticos. Chegaram ao Brasil trazidos por imigrantes europeus no século 16 como aves domésticas, adaptando-se muito bem aos grandes centros urbanos devido à facilidade de achar alimento e abrigo.

Vivem de 15 a 30 anos na natureza, mas só de três a cinco anos nas cidades devido a doenças provocadas pela alimentação artificial e ao desequilíbrio de sua população. Quando uma população animal cresce desequilibradamente, há controle natural pela transmissão de doenças dentro da colônia.

“Formam casais por toda a vida, tendo cinco a seis ninhadas por ano, cada uma com até dois filhotes. Os ovos são incubados por 17 a 19 dias, e os filhotes tornam-se adultos entre os seis e oito meses de idade”, informa a bióloga Monica Schuller, especialista em Pombos Urbanos, no artigo técnico Pombos Urbanos – Um caso de Saúde Pública.

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